SEMINÁRIO 2 – RISCO QUÍMICO

DATA: 28 de novembro de 2011.

Equipe composta por: Eliane Vieira, Kadja Elvira, Lídia Tarciana, Rosa Guedes, Tatiana Vanessa, Telma Cristina.

A equipe iniciou falando do que é risco ocupacional, a definição dada pela equipe e por autores foi que: a exposição é representada pelo período em que o ser humano está sujeito aos diversos componentes ambientais através das diversas vias possíveis de absorção da substância tóxica pelo organismo: respiratória, cutânea, digestiva e placentária (Câmara & Galvão, 1995).

Os riscos químicos foram divididos de acordo com a área que atinge:

 

  • RISCO QUÍMICO NA INDÚSTRIA:

- Solventes orgânicos: são solventes obtidos a partir do refino do petróleo cru, sendo de grande uso industrial (indústria química, farmacêutica, de tintas, etc), são constituídos por hidrocarbonetos, enxofre, oxigênio, compostos nitrogenados e traços de metais. Sua contaminação ocorre por via respiratória e/ou cutânea.  Porém se manipulados dentro das normas de segurança não tende a causar danos à saúde do trabalhador. Porém em caso de contaminação atinge principalmente pele e Sistema Nervoso Central (SNC), podendo levar a perda de memória e da capacidade de concentração.

 

- Ototóxicos do Tolueno (C6H5CH3): conhecido como Toluol e Metil Benzeno, que é um líquido incolor, componente da gasolina. No uso doméstico, é um solvente para pinturas. Porém o problema está na mistura desses solventes com outras drogas ou agentes. Podendo causar: antagonismo – quando a combinação apresenta efeito menor que o previsto; sinergismo – quando a combinação apresenta efeito maior que o previsto, nesse caso ocorre quando há mistura entre os solventes orgânicos ototóxicos e entre ele e o fumo, álcool, ruído, etc. Quem descreve essa Tolerância é a NR15 – Atividades e operações insalubres, no seu anexo nº 11 - agentes químicos cuja insalubridade é caracterizada por limite de tolerância e inspeção no local de trabalho (ANDERSON, 2002).

 

- Risco químico da utilização do amianto: O Amianto/asbesto é um grupo de minerais silicatos inorgânicos hidratados que ocorrem na natureza em forma fibrosa macroscópica, é extraído de rochas compostas de silicato, apresentando vários tipos de textura que vão desde uma fibra longa, macia e sedosa até uma massa de fibras curtas, duras e quebradiças. São incombustíveis no ar, separáveis em filamentos, com cor variando do branco, ao verde cinzento, marrom-amarelado ou azul cobalto. No seu estado natural tem um brilho sedoso sendo opaco, as variedades mais comuns estão divididos em dois grupos que são os anfibólios, crocidolita (silicato hidratado de ferro e sódio) – amosita / antofiilita (silicatos hidratados de ferro e magnésio) – tremolita (silicatos hidratados de ferro e magnésio e cálcio) e serpentinados, crisotila ou amianto branco (silicato hidratado de ferro e sódio) (MENEZES, 2001).

Foi muito usada em telhas, revestimento de embreagem de automóveis e coberturas de edifícios, em gessos e vestimentas para o fogo. Também usada para isolamento térmico e acústico. O maior perigo do amianto está na inalação, pois suas fibras podem se alojar nos pulmões, o que ocasiona várias doenças respiratórias, como asbestose e câncer de pulmão, podendo afetar o trato gastrointestinal. Porem outro fator que possibilita essa contaminação é a ingestão da água com amianto.

Os trabalhadores mais atingidos são: trabalhadores de fábrica de fibrocimento, encanadores, eletricistas, trabalhadores da construção civil, dentre outros. Seus familiares também são atingidos, pois os trabalhadores transportam em suas roupas o pó com amianto, comunidade vizinha à indústria. Não podemos esquecer-nos da área de saúde, já que as mascaras antigamente possuía amianto, o que hoje não ocorre mais.

Uma observação importante é o caso de materiais com amianto em bom estado, eles não liberam fibras, porém eu ainda acho que o maior perigo ainda é para quem manipula esse material.

  • Vários governos do Brasil e a Lei Federal nº 9055 de 1º de julho de 1995 apresentam leis que dispõem sobre a mineração, industrialização, transporte e comercialização de amianto e dos produtos que o contém.  Como exemplo: São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Pernambuco (com a lei Lei 12.589/04 de 26/05/2004 proíbe em todo o Estado de Pernambuco a fabricação, comércio e o uso de materiais, elementos construtivos e equipamentos constituídos por amianto ou asbesto em qualquer atividade, especialmente na construção civil, pública e privada).

           

DOENÇAS PROVOCADAS PELA INALAÇÃO DE SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS

  • Silicose: é a mais antiga, mais grave e mais prevalente das doenças pulmonares relacionadas à inalação de poeiras minerais, confirmando a sua importância na lista das pneumoconioses. É uma doença pulmonar crônica e incurável, com uma evolução progressiva e irreversível que pode determinar incapacidade para o trabalho, invalidez, aumento da suscetibilidade à tuberculose e, com frequência, ter relação com a causa de óbito do paciente afetado. É uma fibrose pulmonar nodular causada pela inalação de poeiras contendo partículas finas de sílica livre cristalina que leva de meses a décadas para se manifestar.
  • Antracose: é uma lesão pulmonar caracterizada por pigmentação com sais de carbono, comum nos em mineradores, populações de grandes centros urbanos ou de áreas poluídas, além de fumantes e principalmente em carvoeiros, causando fibrose pulmonar.
  • Pulmão negro: é uma doença pulmonar causada por depósitos de pó de carvão nos pulmões. Em consequência a inalação do pós de carvão
  • Doenças pulmonares intersticiais (DPIs): constituem um grupo heterogêneo de condições que acometem o parênquima pulmonar. Causando infiltrações, podendo acometer os alvéolos (UNIFESP, 2011).

·RISCOS QUÍMICOS NA AGRICULTURA

 

- AGROTÓXICOS

 Os agrotóxicos são as principais causas de contaminação do trabalhador na agricultura. Eles são destinados a combater pragas que atacam as lavouras. Esses agrotóxicos apresentam inúmeros compostos químicos e são classificados como inibidores de colinesterases (muito utilizado como inseticidas e acaricidas) e neurotóxicos. Após contaminação a pessoa apresenta miose, visão borrada, náuseas, podendo levar a uma depressão dos centro respiratórios. Seu uso prolongado pode causar câncer.

Para proteção nem o uso de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) é eficaz.

 

  • RISCOS QUÍMICOS HOSPITALARES
  • CLASSIFICAÇÃO DE MATERIAIS MÉDICO- HOSPITALARES- CME

São classificados como críticos, semicríticos e não críticos. Sendo realizada de acordo com o grau de contaminação do artigo.

Artigos críticos

Os artigos destinados aos procedimentos invasivos em pele e mucosas adjacentes, nos tecidos subepiteliais e no sistema vascular, bem como todos os que estejam diretamente conectados com este sistemas. Estes requerem esterilização. Ex. agulhas, cateteres intravenosos, materiais de implante, etc.

Artigos semi-críticos

Os artigos que entram em contato com a pele não íntegra, porém, restrito às camadas da pele ou com mucosas íntegras e requerem desinfecção de médio ou de alto nível ou esterilização. Ex. cânula endotraqueal, equipamento respiratório, especulo vaginal, sonda nasogástrica, etc.

Artigos não críticos

Os artigos destinados ao contato com a pele íntegra e também os que nãoentram em contato direto com o paciente e requerem limpeza ou desinfecção de baixo ou médio nível, dependendo do uso a que se destinam ou do último uso realizado. Ex. termômetro, materiais usados em banho de leito como bacias, cuba rim, estetoscópio, roupas de cama do paciente, etc (ANVISA, 2000).

Os passos a serem seguidos para processamento de artigos: 

- limpeza ou descontaminação 

- enxágue após limpeza ou descontaminação 

- secagem e estocagem ou uso imediato ou 

- desinfecção e/ou esterilização conforme objetivo de uso do artigo 

- enxágue após o uso de soluções químicas para desinfecção ou esterilização 

- secagem embalagem ou uso imediato 

- Secagem e estocagem

O uso de EPI é primordial para evitar contaminação, o maior risco de contaminação com material químico é o uso de substancias como o caso do glutaraldeído, que é uma substância altamente tóxica.

 

  • LAVANDERIA

O risco biológico é enorme, porém o maior risco químico está no manuseio de substâncias tóxicas, como hipoclorito de sódio para desinfecção das roupas, e as máquinas, que segundo a professora é aquecida, por muitas vezes, a lenha. Fora o risco físico, referente ao ambiente úmido das lavanderias.

Neste caso é empregado a NR15, para ambiente insalubre.

Sendo imprescindível seguir a NR 06, usando os seguintes EPIs: gorro, máscara, avental e luvas.

 

  • RISCOS QUÍMICOS NO BLOCO CIRÚRGICO

Os maiores riscos são biológicos, físicos e ergonômicos, porém o risco químico não está descartado, principalmente nos casos de alergia ao uso de látex, que é causado pela exposição de luvas, a irritação de olhos, nariz e garganta, ocasionados pela exposição a aerossóis, sem falar na exposição em longo prazo de medicamentos e fluidos de esterilização.

 

  • RISCO QUÍMICO NO MANUSEIO DE ANTINEOPLÁSICOS

Antineoplásicos são medicamentos usados no tratamento do câncer, para destruir as células tumorais, as conhecidas quimioterapias. São em sua maioria compostos tóxicos e conhecidos por serem carcinogênicos mutagênicos e teratogênicos. O contato direto pode causar irritação da pele, olhos e membranas mucosas, podendo levar a leucopenia, anorexia, náuseas, vômitos, cistite, etc.

As vias de contaminação são: respiratória, pele, oral e olhos.

As medidas de seguranças se baseiam no uso de EPIs (luvas trocadas a cada 30 minutos, o avental deve ser impermeável, a máscara deve ser de carvão aditivado e deve-se usar calçados impermeáveis) e no seguimento das regras de utilização dos neoplásicos, como não fumar, comer ou beber, lavar as mãos antes e depois das atividades, dentre outros.

 

REFERÊNCIAS:

 

ANDERSON. NR 15 – ANEXO 11. 2002. Disponível em: . Acesso em: 01 de dez. de 2011.

ANVISA. Curso Básico de Controle de Infecção Hospitalar. Ministério da Saúde. 2000. Disponível em: < http://pt.scribd.com/doc/7840045/Controle-de-InfecCAo-Hospitalar-Manual-Anvisa>. Acesso em: 01 de dez de 2011.

CÂMARA, VM & GALVÃO, LAC. A patologia do trabalho numa perspectiva ambiental. In: BERTONCELL, Lígia. Efeitos da exposição ocupacional a solventes orgânicos, no sistema auditivo. Porto Alegre: 1999. Disponível em: < http://www.cefac .br/library/teses/0a5977636e419be3ba93e8ee8400ee72.pdf>. Aceso em: 01 de dez. de 2011.

CAMPOS, Shirley. Pneumologia/Pulmão. Silicose. 2003. Disponível em: <http://www.drashirleydecampos.com.br/noticias/3957>. Acesso em: 01 de dez de 2011.

MENEZES, Marcos Antônio Carneiro. Avaliação do risco na utilização do amianto na Indústria têxtil e no processo de remoção. São Paulo. FIOCRUZ: 2001. Disponível em: < http://teses.icict.fiocruz.br/pdf/menezesmacm.pdf>. Acesso em: 01 de dez. de 2011.

UNIFESP. Principais patologias. Disponível em: <http://www.unifesp.br/dmorfo/ histologia/ensino/pulmao/patologias.htm>. Acesso em: 01 de dez